segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Por dentro da ESCULTURA

Não dá para falar de escultura, sem começar por determinar uma informação fundamental que é sua própria referência: mostrar qualquer coisa, ou ainda coisa nenhuma. Segunda informação: o corpo humano é a “matéria-prima” primeira que representa esteticamente a associação de valores figurativos de determinado tempo e cabe no ilimitado repertório de mostrar qualquer coisa. Quanto ao desejo de recriar um objeto moderno, que mostra coisa nenhuma [inferência do sujeito que o percebe, e não do artista!], tem muito a ver com a atmosfera da imagem, da velocidade e da comunicação imediata, iniciada no século 20 com a fotografia, o cinema e Picasso como exemplos. Desafia-se a percepção, organizando-se o real em todas as suas possibilidades de linguagem. É mesmo um realismo da irrealidade.


Detalhe da escultura da linha Hexie
Conformação em placa
Massa cerâmica branca com esmalte transparente


Viés                    
HISTÓRICO 

É a correlação entre realidade e imagem que funda a escultura da Pré-história ao século 18. Informa-se na imagem  da Vênus de Willendorf  a fertilidade da mulher com seus seios enormes e ventre abundante. Os egípcios exploram a figura divina do Faraó para abrigar-lhe a alma e a crença na vida depois da morte. Embora sem braços e  pé esquerdo, com acabamento pouco refinado na parte traseira, a Vênus de Milo justifica a função de representar os deuses do Olimpo.  Na Idade Média, a história do Cristo autoriza a produção de Maria Madalena com tranças, testa alta e recipiente com óleo para ungir o corpo do Senhor. O Barroco põe diante dos olhos dramaticidade, efeitos de luz e apelo visual; faz-nos conhecer a emoção e a técnica de Bernini. Na civilização industrializada do século 19, o artista não considera diretamente a realidade,  mas  a elabora dinamicamente  através de relações entre elementos tomados da consciência, da técnica e da matéria-prima. Foi essa a escolha de Rodin. Nele há simplificação e distorção, marcas da matéria-prima [pedra] e incompletude do objeto no objeto que abrem para as manifestações do século 20.  Modernamente “entram” no processo estético reentrâncias, curvas e formas improváveis, e tecnologia de materiais, que afirmam o modo de pensamento do artista e não permitem designar objetos por tendências. É o que acontece com O Impossível de Maria Martins.



  
1 Vênus de Willendorf, em calcário oolítico, descoberta no sítio arqueológico do Paleolítico, na Áustria, de 24 000 a 22 000 a.C. | 2 Detalhe  de um dos quatro colossos do faraó Ramsés II,  no complexo arqueológico Abu-Simbel, escavado na rocha, no Egito, no século 3 a.C | 3 Vênus de Milo da Grécia Antiga, em mármore, do acervo do Museu do Louvre, em Paris, França. Autoria provável de Alexandros de Antioquia | 4 Maria Madalena,  em carvalho, do acervo do Musée de Cluny, o museu da Idade Média nas termas de Paris. | 5 Detalhe da escultura de Gianlorenzo Bernini A Beata Ludovica Albetoni,  San Francesco a Ripa, Roma. | 6 O Beijo de Auguste Rodin, em mármore branco em 1886, no Musée Rodin, em Paris. Barro cozido é o modelo de referência. | 7 O Impossível III de Maria Martins , em bronze, acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York – MoMA.


Pegada
SUSTENTÁVEL

Com diferentes opções de matérias-primas, cabe ao artista tirar proveito daquela que foi escolhida, privilegiando projetos secos ao máximo, para levantar seus objetos. Mas não é só. Atualmente, bom desempenho tem muito a ver com adaptar-se ao atributo da tridimensionalidade que deixa esculturas com características plásticas próprias, independentes de quaisquer tendências e nos mais diversos segmentos  da atividade humana, como as em destaque abaixo.



1 Em estrutura de arame com argila, preenchida com resina, e posterior modelagem em softwares 3D,  action figures são produzidas para animação | 2 David Trubridge, designer neozeolandês, desenhou e produziu o pendente Coral, todo de lâminas de madeira reaproveitável | 3 Poltrona Joe, dos designers De Pas, Donato D'Urbino e Paolo Lomazzi, em poliestireno expandido e revestida de couro. | 4 Aço, cimento reciclado e placas de vidro na Árvore da Vida, no Pavilhão da Itália, para a Expo Milano 2015, sob o título Alimentar o Planeta, Energia para a Vida, criação do estúdio Nemesi  | 5 Expansion de  Paige  Bradley, feita a partir de  fragmentos de cera, reproduzidos em bronze, com iluminação de dentro para fora.

Objeto-Conceito

Dois elementos determinam a escultura da linha Hexie. Sua estrutura retorcida permite intervenções de posicionamento em contato com superfícies. As aberturas, devido ao formato de hexágono, permitem o movimento dos olhos capazes de imaginar a entrada e a saída da luz ou do vento e mesmo do fogo. Leve e minimalista, confere toque contemporâneo nos mais variados ambientes.



Escultura linha Hexie
Conformação em placa
Massa cerâmica creme com esmalte transparente