domingo, 27 de setembro de 2015

Acho que é JOIA!

Parece não haver dúvida que acessórios exclusivos atraem a atenção das mulheres. Colares, pulseiras e brincos completam qualquer produção e ainda integram a nossa personalidade. Produzidos industrialmente ou de forma artesanal, para o segmento de luxo ou para o de menor custo, o design de joias usa cerâmica “avançada”, obtida a partir de óxidos metálicos (zircônia, titânio ou albumina), combinando-a com outros materiais expressivos (ouro, prata e pedras), e por diferentes estratégias tais como: alternativas estéticas, atitude sustentável, diminuição de custos e diferenciação de mercado. Atentos a essa informação, parece não haver dúvida que adotamos comportamento moderno e contemporâneo, embora simples, ao fazermos acessórios com argila. É, de fato, não há.




Detalhe do pendente de medalhão linha Hexie
Conformação em placa
Massa cerâmica marfim com esmalte transparente


Viés                    
HISTÓRICO 

Pioneiro, o designer primitivo trabalhou amuletos de poderes mágicos com pedras e ossos, madeira e sementes. No entanto, fragmentos de obsidianas de um colar, datado de 5000 a.C e encontrado em escavações no norte do Iraque, cumprem papel de destaque na história das joias. No Egito e na Grécia, terracota dourada e vidrados dão forma e cor ao repertório dos profissionais, Também vidrados em equilíbrio com metais mantêm o savoir-faire na Idade Média. Já a técnica de produção da porcelana permitiu a reinvenção do camafeu na Renascença. Mas a maioria dos designers substituiu a cerâmica por pedras preciosas em sua produção nos séculos 18 e 19. E na contramão e exatamente por sua versatilidade, o design autoral e de elevada qualidade do século 20 resgatou o uso da cerâmica em marcas de alto luxo e feiras internacionais de joalheria.




1 Colar Paleolítico de conchas, lascas de forma e tamanho definidos. Período Histórico : 5000 a 1000 a.C | 2 Colar Antigo Egito de faiança. © Museu Egipci de Barcelona: 1550 a 1307 a.C | 3 Escapulário Medievo de metal e esmalte: 400 a 1450 Fonte: Illustratus, mar. 2010 | 4 Camafeu Colar da Rainha Santa Isabel de ouro, pedras e pérolas. © Museu Nacional Machado de Castro: século 14 | 5 Pulseiras Jean Schlumberger by Tiffany com vidrados. Fonte: Tiffany & Co, 2015 | 6 Anel Trinity Cartier de ouro amarelo, ouro branco e cerâmica preta com diamantes. Fonte: Cartier, 2015


Pegada
SUSTENTÁVEL

Foi-se o tempo em que empresas do setor produtivo de jóias seguiam ignorando o impacto da atividade no solo, na água e no ar. Para além da força da lei, há uma crescente preocupação com gestão de P+L [produção mais limpa] com objetivo de  melhorar a eficiência dos processos. Assim estão cada vez mais frequentes orientações técnicas e práticas para (1) a redução ou eliminação do uso de matérias-primas tóxicas; (2) aumento da eficiência no uso de matérias-primas [água ou energia]; (3) redução na geração de resíduos e efluentes, e (4) reuso de recursos. Embora pareça sofisticado, é desejável ler, entender e aceitar medidas de P+L, também por sermos menores, e com menos danos ao meio ambiente e para todos ao redor do atelier.



1 Mina de extração de ouro em rocha dura, Morro do Ouro, Paracatu, MG. Liberação de arsênio. Foto: Beto Magalhães © 2008 | 2 Mina de extração de nióbio em Araxá, MG. Radiação elevada, risco de câncer  e problemas respiratórios. Foto: CBMM [Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração] | 3 Capa do guia técnico Bijuterias, de Mateus Sales dos Santos, publicado pela CETESB [Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental], São Paulo © 2005
  
Objeto-Conceito


Só depende do ponto de vista: é necessário para ser semijóia, possuir uma estrutura em metal não-nobre (estanho, latão, bronze ou zamack) com uma camada espessa de ouro, prata ou ródio. Com uma camada extremamente fina de ouro ou prata em sua superfície, seria uma bijuteria. Como foi criada com argila, dá para ser biojoia. Mas tiro proveito das características de exclusividade, design e durabilidade para dizer que “acho que é joia!”.