sexta-feira, 27 de novembro de 2015

De olho no QUADRO

Como é previsível, a ideia de olhar um quadro (de tema bem sucedido ou não) se encaixa sob praticamente qualquer representação visual através das cores: uma pintura. No entanto, não devemos ignorar que podemos subverter os meios e os suportes como experiência ou provocação. É assim que, em formato de quadro decorativo, a linha Hexie  aloca-se em uma tela com massa cerâmica colada. Composição atual, ancorada na tradição rupestre. Os primeiros homens pintaram na pedra. O suporte é a pedra. Queimada, a massa cerâmica ganha rigidez de pedra e se credencia para meio no lugar das cores. Em sentido mais específíco: a pintura do painel se limitou à aplicação de pedra. Com o Hexie, mantemos o savoir-faire antigo, sobretudo subvertido. É assim.
              
                                                           
Detalhe do quadro da linha Hexie
Conformação em placa
Massa cerâmica tabaco

Viés                    
HISTÓRICO 

No Paleolítico, paredes e tetos de cavernas são o suporte para representações do cotidiano na Europa, na África e nas Américas. Com raspas de pedras coloridas e sempre misturadas com resina de árvore e cera de abelha, os primeiros homens coloriam animais selvagens e seus caçadores. Técnica que bastou para sua preservação contra a ação do tempo. Nas antigas civilizações do Mediterrâneo [Egito, Grécia e Roma], o panorama se mostra mais favorável à escultura. Já da Idade Média ao Renascimento, a preferência se orientava para a realidade dos afrescos [técnica de pintura em paredes ou tetos de gesso ou revestidas com argamassa, ainda frescas, que geralmente assumem a forma de mural] e dos retratos a óleo. Com Cézanne, foi possível recriar realidades (naturais ou imaginadas) combinadas com as realidades próprias da pintura: a cor, a luz e o desenho. Essa foi a abordagem até meados do século 20, destacando-se a abstração total de Kandisky que manifesta as relações estéticas do quadro, e aquela de  Jackson Pollock que encontra a realidade ao acaso, expressando o instinto e as sensações do artista: simplesmente opostas. Já com o uso da imagem digital, quadro [canvas, em inglês] é o suporte em que se somam pintura, desenho, escultura e fotografia. Tudo para que  se crie com toques de hiperrealismo – e no século 21.





1 Registro rupestre na forma de pintura sobre rocha. Toca do Boqueirão da Pedra Furada. Serra da Capivara, Piauí, Brasil. Foto: © 2009 Associação Brasileira de Arte Rupestre | 2 À esquerda, detalhe do afresco da ascensão de João Batista na Capela Peruzzi, na basílica de Santa Croce em Florença, Itália. © Giotto, 1318. À direita, Mona Lisa. © Leonardo da Vinci, 1516. Há controvérsias sobre o modelo pintado na técnica do sfumato : se a  esposa de Francesco del Giocondo, um comerciante de Florença, ou   Isabel de Aragão, a Duquesa de  Milão, ou ainda o próprio Leonardo da Vinci. Exposto no Museu do Louvre, em Paris, o quadro foi avaliado em cerca de 100 milhões de dólares na década de 1960 | 3 Em paleta de cores vivas, a expressão do jardim da casa em Aix-em-Provence, visto da janela do estúdio compõe o ambiente da pintura abstrata e do cubismo. O Jardim em Les Lauves. © Paul Cézanne, 1906. Óleo sobre tela. The Phillips Collection, Washington DC | 4 À esquerda, cores e formas geométricas para provocar emoções e humores do observador. Aquerela #14. © Wassily Kandisky, 1913. À direita, gotejamento de tintas, inclusive as de resina sintética [esmaltes], com aderência da tela na parede ou no chão, em teias de cor. Number One. © Jackson Pollock 1950 | 5 Verossimilhança, com ilusão de profundidade, objetos para insinuar uma realidade alternativa: hiperrealismo. Ice Palace. ©Jason de Graaf 2011?  


Pegada
SUSTENTÁVEL

A atenção a atitudes e a importância que damos a intervenções que causem, no dia a dia, menos danos ao meio ambiente favorecem a sustentabilidade. O reaproveitamento do material excedente, após os recortes no desenho hexagonal, para composição do painel Hexie marca a preocupação do atelier Regina Franco. Combiná-lo com o tratamento de superfície isento de esmaltes configura uma escolha consciente e o torna compatível com projetos naked clay. Centrada numa possível função social da sua atividade de ceramista,  Regina Franco incluiu na sua produção a caneca Eco-friendly com o ícone de uma folha de embaúba na sua superfície. ”Sem me autopromover, tenho o desejo de estimular uma vivência ecossuficiente”, revela. Confira as imagens.



1 Placas de argila, resultantes de recortes no desenho hexagonal, fixadas em paginação contígua ao motivo principal sobre o painel | 2 Caneca Eco-friendly, para gourmands do cafezinho, pensado o melhor custo-benefício em substituição ao material descartável. Protótipo em massa cerâmica creme | 3 Folha de embaúba [ Cecropya polophlebia], árvore da Mata Atlântica, destacando-se pela tonalidade prateada, favorita do bicho preguiça, com propriedades terapêuticas e energéticas | 4 Regina Franco, levemente pensadora,  em momento no showroom, anexo a sua antiga residência, cercada de suas criações. Foto: © 2009 Bruno Nicoll


Objeto-Conceito

Se as paredes têm ouvidos, talvez falem também... Ainda que improvável, podemos driblar a escolha da pintura em tela, inovando e investindo no painel Hexie para um diálogo de personalidade. Colocá-lo apoiado em aparadores, mesas ou no chão transforma o ambiente de forma simples e moderna. Dê uma olhada!



1 Vista frontal dos exemplares do painel 40x80cm  | 2 e 3 O painel em alternativas de suporte e inspiração